Como responder uma requisição de titular (DSAR) dentro do prazo
Qualquer pessoa cujos dados pessoais sua empresa trata tem o direito de saber o que você tem, pedir correções, solicitar exclusão e muito mais. Quando essa pessoa faz um pedido formal — o que chamamos de DSAR (Data Subject Access Request) ou Requisição de Titular — você tem obrigação legal de responder. E tem prazo.
Este artigo mostra como estruturar esse processo para que a sua equipe responda com agilidade, sem improvisação e sem risco de descumprir a LGPD.
Quais são os direitos do titular?
O art. 18 da LGPD lista os direitos que os titulares podem exercer a qualquer momento:
- Confirmação — saber se você trata dados deles
- Acesso — receber uma cópia dos dados tratados
- Correção — atualizar dados incompletos, inexatos ou desatualizados
- Anonimização, bloqueio ou eliminação — para dados desnecessários ou tratados com violação
- Portabilidade — receber os dados em formato interoperável
- Eliminação — quando o tratamento era baseado em consentimento e o titular o revoga
- Informação sobre compartilhamento — saber com quem os dados foram compartilhados
- Informação sobre não consentimento — consequências de não fornecer o consentimento
- Revogação do consentimento
- Revisão de decisões automatizadas
Qual é o prazo para responder?
A LGPD não estabelece um prazo fixo em dias como o GDPR europeu (15 dias). Ela exige que a resposta seja dada "de forma imediata" ou, quando isso não for possível, em prazo razoável. A ANPD tem sinalizado que 15 dias corridos é uma referência aceitável — e que atrasos injustificados podem configurar infração.
O fluxo de resposta passo a passo
1. Receber e registrar
O pedido pode chegar por e-mail, formulário no site, presencialmente ou até por carta. Seja qual for o canal, o importante é registrar imediatamente: data de recebimento, identidade do titular, tipo de direito solicitado. Esse registro é a prova de que você cumpriu o prazo.
2. Validar a identidade do titular
Antes de entregar qualquer dado, confirme que quem está pedindo é realmente o titular (ou alguém com procuração). Isso protege o titular de terceiros que possam tentar acessar suas informações. Métodos comuns: confirmação por e-mail cadastrado, CPF + data de nascimento, código enviado ao celular.
3. Localizar os dados
Com a identidade validada, comece a localizar os dados nos sistemas. Aqui fica claro por que ter um inventário (RoPA) atualizado é fundamental: sem saber onde os dados estão, a busca vira uma operação manual e demorada que vai consumir horas da equipe.
4. Processar a solicitação
Dependendo do tipo de direito exercido:
- Acesso / confirmação: exporte e formate os dados de forma legível
- Correção: atualize os sistemas e confirme a mudança
- Eliminação: apague os dados dos sistemas que os processam (respeitando exceções legais como obrigação legal de guarda)
- Portabilidade: exporte em formato estruturado (CSV, JSON)
- Revogação de consentimento: interrompa os tratamentos baseados naquele consentimento
5. Responder ao titular
Forneça a resposta em linguagem clara e acessível. Se o pedido for negado (parcialmente ou totalmente) por alguma exceção legal, explique o motivo. Documente tudo: o que foi respondido, quando e por qual razão.
Exceções: quando posso negar o pedido?
A LGPD prevê situações em que o exercício de alguns direitos pode ser limitado, como quando:
- O dado é necessário para cumprimento de obrigação legal
- A eliminação impediria o exercício de direito em processo judicial
- Interesses legítimos do controlador se sobrepõem (em casos específicos)
Mas atenção: a negativa precisa ser justificada, documentada e comunicada ao titular. Ignorar o pedido não é uma opção.
Por que automatizar o processo de DSAR?
Empresas que ainda gerenciam DSARs por e-mail e planilha enfrentam três problemas recorrentes: perda de prazos, falta de rastreabilidade para auditorias e enorme esforço manual quando o volume de pedidos cresce. Uma plataforma de gestão de privacidade resolve os três: o titular submete o pedido pelo portal público, a equipe acompanha o status em tempo real e tudo fica documentado com carimbo de data e hora.
Gerencie DSARs com prazo, rastreio e portal público
Do pedido à resposta, tudo documentado dentro do PrivacyConsent.
Conclusão
Responder DSARs de forma estruturada não é apenas uma obrigação legal: é uma prova concreta de que a sua empresa leva a privacidade a sério. Titulares que têm seus pedidos atendidos com agilidade e clareza constroem mais confiança na marca. E empresas com processo documentado enfrentam muito menos risco diante de uma investigação da ANPD.
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